Voltei
É engraçado, olhamos para o que fizemos ontem e não difere muito do que fizemos no mesmo dia relativamente a semana passada, e pouco diferiu do que fizemos nesse dia da semana no mês anterior e as vezes até do ano.
Olhamos para o amanha e dizemos sempre que ele vai ser diferente, vamos trabalhar mais, ler, estudar, apreender, confraternizar em locais onde nós é permitido ouvir o nosso pensamento, passar mais tempo com a família, descobrir e explorar o nosso interior para alem do que damos a conhecer aos outros…mas pouco mudou nestes últimos anos, pouco mudou desde que decidimos que já éramos auto-suficientes e tentamos levar a cabo um processo irreversível mas de momento não praticável ao qual alguém decidiu chamar limitação do cordão umbilical.
Hoje mudei, não sei quando é que o processo se iniciou mas hoje algo mudou, mas a altura para o fazer é deveras caricata. É engraçado, no momento em que consegui alcançar todos, mas mesmo todos os objectivos que julgava necessitar de colocar na bagagem para pesquisar o trilho mais apropriado rumo a felicidade apercebi-me que a pretendo manter não existente, utópica e inteligível.
As duas e treze da madrugada do dia que hoje decorre eu percebi o que era a felicidade, e compreendi exactamente o que é que tinha e tenho que fazer para a manter.
Mas no instante após ter tomado consciência do meu sorriso idiota estampado na face percebi que a sempre mais, a sempre um MAS, a algo para alem do alem…e somente quando chegar a esse ponto que tenciono repousar.
Percebo agora que não quero de todo ser feliz, quero antes viver o resto da minha existência a trabalhar para a felicidade, se um dia eu for feliz e perceber que o vou ser o resto da minha existência, sem flutuações e variações de estado de consciência então ponho termo a tudo o que me rodeia, prefiro morrer a ser feliz.
